sábado, setembro 09, 2017

NGPS Benfeita


Grande dia, grande jornada de BTT pelos trilhos da minha infância!!!

Tudo começa quando o meu amigo de infância, o Tó-Zé (AMBikes), tem na manga uma etapa do circuito NGPS a organizar na Benfeita. No inicio do ano, disse-lhe logo "eu vou" e esperava levar mais malta atrás.

Já por várias vezes pelo clube, tínhamos ido pedalar à Benfeita, mas sempre a vir de algum lado:
- Até o relato que deu origem ao blog é de uma brilhante volta que acabou na Benfeita, volta esta que também se poderia chamar Travessia Estrela - Açor.

Estas foram algumas das incursões, mas a deste relato, teve como centro a Benfeita. Inicio e fim na aldeia onde cresci. Os trilhos são aqueles que conheci quando em garoto ia às pinhas, quando brincava, quando ajudava o TóZé em alguns afazeres da terra, com o propósito de ele se despachar mais depressa para irmos jogar à bola, etc... 

Como dá para perceber um bocadinho, é uma alegria enorme voltar e com uma mão cheia de amigos.


Chegámos sexta feira à noite, dormimos nos beliches instalados na junta de freguesia para no dia seguinte nos prepararmos mais relaxadamente. O objectivo para o dia era mesmo o relax, desfrutar dos trilhos e das paisagens, picar o ponto nas aldeias todas e parar na maioria delas.

Acordar na Benfeita é sempre um prazer indescritível para mim. Sair à rua e encontrar as pessoas da minha infância, os meus amigos é algo maravilhoso, o Rogério, o Alfredo, o ti Horário...

Também é muito engraçado fazer destes locais o ponto de encontro de malta que só conhecemos destas andanças. Histórias de outros "posts", mas que ficam na memória. Mal pus o pé na rua, encontrei o (vizinho da Cova da Beira) Filipe Roberto, que já se estava a fazer ao caminho. 

O amigo Tó Gonçalves também o encontrei logo pela manhã, pois tem estado por dentro deste circuito. Este amigo conheci-o há uns anos quando nos deu uma ajuda espectacular na logística deste nosso passeio à beira do Mondego desde a nascente à foz, numa actividade do clube.

Tive o prazer de conhecer pessoalmente o Miguel Martins, com quem há uns 3 anos troquei várias impressões sobre uns passeios pela zona da Guarda que ele pretendia fazer.  

Quem também não imaginava encontrar era o João Laranjinha que conheci num acaso há uns anos na Barragem de Santa Luzia e que muita ajuda me deu para encontrar em cima da bicicleta a nascente do Rio Ceira, que visitamos precisamente neste dia.

Tudo isto enriquecia o dia e ainda nem tinha começado a pedalar.


Ainda não eram 9 da manhã já estávamos a sair. 


O primeiro molha-pés, foi logo no primeiro quilometro e o primeiro singletrack também.





Aos pouquinhos íamos progredindo. O engarrafamento não era muito, mas nós como éramos 11 já afunilávamos o suficiente. Passámos no "Pau", local que sempre me lembro de ser cultivado pela Lenita, mas onde eu só tinha descido uma vez. Agora o sitio é habitado por ingleses, como a maioria dos "buracos" fora da aldeia. 

De seguida passamos bem ao lado da Dreia. Uma das coisas engraçadas deste dia, foi ver algumas destas aldeias de uma perspectiva diferente. Anos e anos a passar pela Dreia todos os dias, de manhã e à tarde, vi-a agora de onde não é habitual.  





Com o olhar na Cerdeira, descemos ao Pisão, onde uma figueira foi a delicia de alguns.




Chegámos a Côja a meio da manhã, com mais de hora e meia para fazer os primeiros 10 Kms. O percurso atravessava a vila entrando pelo Restaurante Prensa da Ribeira, onde me lembro sempre de lá comer um bacalhau delicioso. Chegámos à beira do Rio Alva, chegámos à emblemática ponte e entrámos novamente na vila. 







Juntámos a isto mais meia hora de paragem na esplanada para comer qualquer coisa.
Na "Pérola de Côja" encontro a minha amiga (e colega do ciclo preparatório) Teresa. Já por aqui tínhamos parado em bando em 2014 aquando da Travessia do Alva em BTT. Como nos tratou tão bem, regressámos.





Estar às 11:00 a sair de Côja já dá uma boa média, mas se o Joca fura.... com melhor média ficamos. Não trazer anti furo numa volta destas, é estar a pedi-las. Tanto pediu que pôs o grupo a dar à bomba. Eu avisei com antecedência, "Cuidado com o Joca, sempre que fura foge-nos logo a seguir." Dificilmente me esqueço de "Pinhel 2009", o Joca sempre em grande.



Iniciamos depois disso a subida ao Alqueve. Na subida o grupo separou-se, pois o Manel, a Tina e o Tiago Matos foram para o percurso dos 40. A separação ainda não era ali, mas o atraso já era grande e podíamos estar a comprometer fazer a volta toda. Ainda havia muito para subir e muito para descer nas calmas e com atenção.




Passámos pelo Alqueve, terra do meu amigo João Carlos, recordei os tempos que ali vi passar o "Rally de Portugal Vinho do Porto". O local onde vi chegar o Colin Mcrae sem para brisas e com o carro amassado depois de ter capotado. (Tenho isso filmado)

Continuámos a subir para as zonas mais altas onde há uns anos cheguei a voar de parapente. Recordo-me de ali voar no ultimo dia do ano de 1998, com pouca vontade do meu pai para me lá levar, pois lhe estava a fazer confusão o 31 de Dezembro e o tempo cinzento e frio.



Seguiram-se as Luadas. Estávamos agora na "concha" do afunilado vale da Benfeita. Daqui para a frente para chegar à Benfeita bastava arranjar caminho e descer....






Mesmos ao lado das Luadas, seguiu-se o Pai das Donas. Pequena aldeia que se vê praticamente de qualquer ponto da Benfeita. Entrámos novamente em terra a caminho do Sardal, onde o clube passou numa caminhada chuvosa em Maio do ano passado.











Por aqui os caminhos são um pouco mais largos. Andamos sempre em cotas mais altas e temos sempre as paisagens para contemplar.




Entrámos no Enxudro, pisando o alcatrão que eu "ajudei" a colocar num Verão que quis trabalhar nas férias. Por aqui também já passou o rally em tempos, tenho fotos dos bolides do tempo do Didier Auriol, do Sainz, do Kankkunen a entrar atravessado no largo da aldeia para sair pela apertada estrada, tal como na foto abaixo tirada do site do Monte Frio.



Saímos do Monte Frio a subir para a Relva Velha. Ainda em Julho passado fiz esta subida em terra com a bicicleta de estrada, pois julgava-a já asfaltada.


Antes da Relva Velha, um pequeno desvio para "curtir" um pequeno singletrack e entrar na aldeia por uma entrada mais gira.




Se valeu a pena?? Claro que sim, basta olhar bem para as fotografias.






Estava na hora de mais uma paragem. Desta vez fomos parar na sede da Comissão de Melhoramentos de Monte Frio. 




O ponto de maior altitude deste passeio, estava para chegar. Depois do Monte Frio, continuámos a subir, um pouco por alcatrão e um pouco por terra. Desde as Luadas e do Pai das Donas que andámos sempre na freguesia da Benfeita. Aqui nesta zona já serpenteamos os limites da freguesia. A Relva Velha já é da Moura da Serra, mas o Monte Frio é Benfeita também. 



No entanto ainda entrámos mais um pouco na freguesia da Moura da Serra, para fazer mais um bonito singletrack. Foi "picar" e sair novamente, saindo outra vez para a asfalto.










Seguia-se a descida do dia. Que grande rampa. Como costumo dizer a brincar "que desperdício" horas a subir para se ganhar altitude e depois deita-se tudo fora em 5 minutos. E foi o que aconteceu...




Descemos mesmo com os Pardieiros à nossa frente, mas do outro lado do vale, do outro lado da ribeira da mata.





Com isto ganhei uma nova perspectiva do Santuário da Srª das Necessidades. Dali nunca o tinha visto.



Até mesmo a Benfeita a vi a partir de outros locais que nunca tinha visto. Continuamos a descer até entrar no singletrack da escola primária, a minha escola primária. Mas apesar de estarmos a chegar à Benfeita, ainda faltavam uns quilómetros para o fim. 







Da mesma forma que entrámos na aldeia, saímos logo no primeiro carreiro à esquerda. Ainda faltava ir aos Pardieiros e à Fraga da Pena.











Apesar do percurso passar às portas da Fraga da Pena, esta era uma visita que tinha de ser feita.




Pardieiros! Custou cá chegar! Quando pensas que conheces tudo e já só podes ir por ali, aparece sempre uma rampa jeitosa. Foi assim a subir da ribeira para a estrada da Fraga da Pena e depois quando chegávamos aos Pardieiros.








Estávamos quase no final. Mas ainda faltavam uns 200 metros de desnível a vencer, logo tínhamos de sair dos Pardieiros subindo para depois voltar ao Sardal.



De todas as aldeias da freguesia, só faltou ir às Deflores. Tó-Ze, arranja lá um trilho sff..... :)




Os homens da frente, o Coelho e o Alcino, não viram o padre chegar à capela. Assim, deixamos o Sardal.....
Podia dizer que o melhor tinha ficado para o fim, mas isso era uma grande injustiça e uma grande mentira. É verdade que a parte final, trouxe mais adrenalina ao dia e todos aqueles metros finais são lindíssimos. No entanto todo o percurso foi espectacular. Acredito que vejo tudo isto com outros olhos, mas também acredito que qualquer uma das pessoas que tenha ido à Benfeita neste dia, ficaram com muita vontade de voltar.

















Esta foi a nossa volta, foi com este nosso espírito que desfrutámos deste dia ao máximo. Parabéns ao TóZé por delinear tão bem este dia perfeito.


Já na Benfeita, tínhamos a saída seca e a molhada....


A nossa chegada foi assim.... (fotos da organização)



E a cereja em cima do bolo foi esta....